Resumo
Introdução: apesar dos avanços no conhecimento da COVID-19, o papel da hipertensão intracraniana (HIC) na fisiopatogênese de sintomas neurológicos ainda merece investigação. Objetivo: analisar pressão-intracraniana, pela medida do diâmetro-da-bainha-do-nervo-óptico (DBNO), em tomografias computadorizadas de crânio (TCC) de pacientes com e sem COVID-19. Métodos: foram utilizadas TCCs admissionais (primeiras 24h) de pacientes com SARS-CoV-2-RT-PCR-positivo e comparados com pacientes do período pré-pandemia. As tomografias pertencem ao Banco-de-Imagens-Clínicas-Institucional, que armazena automaticamente exames desde out/2014. Resultados: os grupos foram semelhantes: a) idade; b) sexo (p=0,688 e p=0,784); e c) comorbidades (hipertensão (p=0,299), diabetes-2 (p=0,094). No grupo-COVID-19, aumento do DBNO ocorreu em 24% dos casos. Outros marcadores de HIC foram vistos em 1-28% desses casos. Óbitos foram mais frequentes no grupo COVID-19 (32,8% vs 9,3%, p<0,001), bem como desfechos desfavoráveis (64,7% vs 36%, p<0,001). Resultado pobre esteve relacionado a aumento do DBNO (15,8%), desvio das estruturas da linha-média (83,3%) e cisternas apagadas (100%). Conclusão: HIC, inferida pelo DBNO nas TCCs admissionais, parece ter papel na sintomatologia neurológica e desfecho de pacientes com COVID-19. Outros marcadores de HIC (desvio da linha média e cisternas apagadas) se mostraram fortemente relacionados a desfechos desfavoráveis, provavelmente por sinalizarem esgotamento da complacência e herniação cerebral iminente, o que favorece a busca do DBNO como marcador precoce de HIC.